Farmácia e açougue lucram com Ozempic, mas cervejas e snacks perdem
Itaú BBA estima que com aumento da demanda drogarias deverão lucro até 15% maior nos próximos trimestres
A ascensão meteórica das canetas para emagrecer não está apenas remodelando corpos. O fenômeno começa a provocar mudanças em grandes setores da economia brasileira.
A leitura do Itaú BBA é clara: estamos diante de um cabo de guerra no consumo. De um lado, farmácias e proteínas ganham tração. Do outro, álcool e carboidratos começam a sentir o peso da mudança de hábito.
O varejo farmacêutico é o beneficiário mais óbvio. Redes como RD Saúde (dona da Drogasil e Raia), Pague Menos e Panvel estão posicionadas para surfar essa onda.
A estimativa é que, até 2030, essas canetas representem cerca de 20% das receitas dessas empresas — um salto enorme comparado aos atuais 8% ou 9%.
No cenário mais otimista, o lucro por ação dessas companhias pode crescer até 15% já em 2027.
A indústria nacional também pode se beneficiar. A Hypera (dona da Neo Química) deve entrar nesse clube com a queda da patente da semaglutida, prevista para o primeiro semestre de 2026.
A empresa prepara seu próprio produto com o princípio ativo do Ozempic, de olho nas margens generosas que os genéricos podem trazer.
Correndo por fora, aparece um vencedor curioso: os produtores e vendedores de proteína. A explicação é fisiológica. Quem usa esses fármacos precisa aumentar a ingestão de carnes e ovos para evitar a perda muscular, o que favorece o setor no longo prazo.