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Cuidados com os medicamentos que você precisa ter

É preciso tomar uma série de cuidados com os medicamentos para evitar acidentes e poluição ambiental

Medicamentos são definidos como produtos farmacêuticos tecnicamente obtidos ou elaborados, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico. Essa definição é fornecida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), uma das instituições responsáveis pela legislação de remédios no Brasil.

Para saber mais sobre para o que serve o medicamento, as vantagens, os tipos e sua administração, confira a matéria ‘Medicamentos: o que são, tipos e diferenças’.

O Brasil ocupa a sétima colocação no ranking mundial de consumo de remédios – o que pode ser um indício de consumo irracional de medicamentos. Muitos brasileiros têm aquela farmácia caseira guardada em algum lugar de casa com remédios antigos ou de uso recorrente. Mas você sabe se está utilizando-os e armazenando-os corretamente? Veja abaixo os riscos e recomendações sobre o consumo consciente e cuidados com os medicamentos.

Caixa de remédios deve estar limpa e organizada

Os medicamentos podem sofrer alterações físico-químicas, o que altera a eficiência terapêutica pelo modo de armazenamento. Se você tem aquela caixa de medicamentos em casa, guarde-a em local fresco, seco e protegido da luz e mantenha os medicamentos em sua embalagem original. Não os deixe no banheiro (local úmido) nem na cozinha (quente), caso contrário, eles podem perder suas propriedades antes mesmo de saírem do prazo.

Faça a limpeza da caixinha constantemente, retirando pó e mofo e separando os medicamentos fora de validade. Não guarde a caixa perto de cosméticos ou de produtos de limpeza, e mantenha-os longe de animais e crianças. Alguns medicamentos necessitam de um tipo de armazenamento especial, como resfriamento. Consulte a bula para ter certeza a respeito da forma correta de armazenamento.

Não faça automedicação

Existem consensos sobre a administração de medicamentos: Não é certo tomar remédio sem antes consultar um médico, mas muitas pessoas ainda fazem isso. A automedicação é um problema recorrente que pode causar sérios danos à saúde. Segundo o Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade (ICTQ), mais de 76% da população se automedica por indicação de amigos e parentes e a maioria é composta por jovens (16 a 24 anos) e escolarizados (ensino superior).

A automedicação com o uso incorreto e indiscriminado de medicamentos pode mascarar um sintoma que a pessoa pensa ser simples, mas que pode ser grave. Há também o risco de agravamento da doença, dependência e eventos adversos, por isso o uso deve ser acompanhado por um profissional da saúde (saiba mais na matéria ‘O que são eventos adversos a medicamentos (EAM)?’). O uso racional dos medicamentos depende tanto do médico quanto de você – só tome medicamentos quando realmente necessário e sempre procure orientação médica.

Outro ponto importante é não tomar remédio vencido. Isso porque ele pode causar efeitos adversos, mesmo que raros. Além disso, a eficácia do medicamento também é reduzida depois da data de validade.

Com o remédio, tome apenas água

O ideal é ingerir seu medicamento com água. Lembre-se que o estômago possui pH ácido, portanto os remédios são desenvolvidos para este ambiente, ou para serem absorvidos no estômago ou no intestino. A bebida que você ingere pode alterar o pH do estômago e, consequentemente, a absorção do medicamento. Outras bebidas, como sucos, refrigerantes e leite podem reagir quimicamente com os compostos do medicamento e comprometer a eficiência.

Ingerir o medicamento sem água também não é aconselhável, a água ajuda a passagem do medicamento pelo esôfago evitando que este fique retido, além de haver chances de perder um pouco da dose do medicamento. Isso também se aplica a remédios de gotas, que podem ser diluídos em água. De qualquer forma, leia sempre a bula para saber qual é a melhor forma de ingestão de um medicamento.

Misturar álcool e medicamento também é perigoso, pois pode cortar a eficiência de alguns medicamentos, potencializar o efeito do álcool, causar sonolência e perda de coordenação. Ambas substâncias são metabolizadas pelas enzimas do fígado e, quando ingeridas simultaneamente, pode comprometer o desempenho deste órgão, reduzindo a eficácia da metabolização.

Tem problema partir o comprimido?

Muitos consumidores têm o costume de triturar o comprimido ou abrir a cápsula do medicamento para facilitar a ingestão, principalmente para crianças ou para dividir a dosagem. Mas essa prática é equivocada, quando não orientada pela médica ou pelo médico.

Os fármacos são desenvolvidos para serem absorvidos pelo melhor local e, aos poucos, o revestimento de cada comprimido irá resistir ou não ao suco gástrico do estômago para chegar ao intestino, onde é melhor absorvido, e liberar o princípio ativo lentamente. Quando você parte o comprimido, o revestimento é destruído e o medicamento é absorvido muito rápido e no local errado. Geralmente os comprimidos que possuem uma linha no meio são feitos para a repartição, mas consulte antes a bula do medicamento e um profissional da saúde.

Nunca consuma medicamentos falsificados

Em matéria da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) pelo menos 15% do comércio mundial de medicamentos é composto por versões falsificadas. Um medicamento falsificado é um ‘produto embalado e etiquetado indevidamente, de maneira deliberada e fraudulenta, em que não se respeita sua fonte ou identidade, podendo conter alterações e adulterações em sua fórmula original’. Esses produtos são feitos geralmente em laboratórios clandestinos em condições precárias de segurança e higiene, contrabandeados e chegam a ser vendidos pela metade do preço original. São medicamentos encontrados em locais como feiras e camelôs, e principalmente na internet – os mais comuns são estimuladores da função erétil, reguladores de apetite, abortivos, anabolizantes, quimioterápicos e fitoterápicos.

Tais medicamentos contêm diferentes compostos e contaminantes e podem agir imprevisivelmente no nosso organismo, podendo não ter eficiência terapêutica e causar reações adversas e intoxicações. Existem também os medicamentos de cargas roubadas, onde também não há garantia da integridade do produto. Portanto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) faz uma série de recomendações para adquirir com segurança seus medicamentos:

Não compre medicamentos em feiras e camelôs, somente em farmácias e drogarias;

Exija nota fiscal;

Se o medicamento não fizer efeito; procure o médico;

Verifique se a embalagem está intacta, lacrada, com o nome do medicamento bem impresso. As embalagens também possuem um espaço para ser raspado com algum material metálico, que esconde a palavra qualidade e a logomarca da fabricante escrita com uma tinta que reage com o ar, formando a marca. Para serem comercializados, todos os medicamentos necessitam dessa marca;

Verifique se existe o número de registro no Ministério da Saúde;

A bula deve ser original e nunca uma cópia.

Em caso de suspeita ou diferença encontrada, é necessário contatar o órgão de saúde local ou a empresa farmacêutica que fabrica o medicamento.

Veja o vídeo do Conselho Federal de Farmácia sobre automedicação no Brasil.

Descarte de medicamentos e seus impactos socioambientais Como descartar remédio vencido

Uma vez ou outra, verifique sua caixa de medicamentos. O intuito deste ato é descartar remédios vencidos ou sem uso. O descarte incorreto de medicamentos pode causar problemas ambientais e a saúde humana, alguns deles são:

Problemas de saúdes a catadores;

Contaminação do solo;

Contaminação de recursos hídricos;

Logo, o descarte de medicamentos vencidos pode ser realizado em qualquer farmácia, drogaria e unidade básica de saúde (UBS). Esses locais costumam ter pontos de descarte de medicamentos, que fazem a coleta e encaminham para incineração, coprocessamento e destinação para aterros sanitários de classe 1 ( onde são levados resíduos sólidos perigosos).

Onde entregar medicamentos dentro do prazo

Se você encontrar um medicamento na sua caixa que não está vencido, mas também não tem mais uso, é possível doá-lo. No Brasil a doação de remédios não é ilegal, mas deve ser feita com cautela. Os lugares onde se doa remédios costumam ser farmácias solidárias ou instituições voluntárias que fazem o repasse para outras pessoas.

Como descartar a embalagem de remédios

As embalagens de medicamentos também precisam ser descartadas corretamente, de forma que seja possível reduzir ainda mais os impactos ambientais de medicamentos, as embalagens de remédios podem ser colocadas para reciclagem.

A embalagem primária do remédio, que normalmente é um blister ou vidro, tem contato direto com o produto, e por isso deve ser descartada junto do medicamento, devido à sua possível toxicidade. Já as embalagens secundárias e terciárias, normalmente bula e caixa, que não entram em contato com o medicamento, podem ser encaminhadas para reciclagem. Agora que sabe mais sobre o descarte correto de medicamentos, você pode passar as informações adiante. O descarte consciente de medicamentos deve ser uma prática comum entre as pessoas, mas infelizmente a falta de informação impede que isso aconteça.

Com sua ajuda, é possível disseminar esses ensinamentos e evitar o descarte de remédios no meio ambiente e suas consequências.

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