Canetas emagrecedoras: o SUS não precisa escolher entre prevenir e tratar
Novas terapias podem conviver com políticas que enfrentem os ambientes e interesses comerciais por trás da epidemia de obesidade
O recente anúncio do governo federal de que o SUS avança na incorporação de novos medicamentos para o tratamento da obesidade deve ser recebido como uma importante iniciativa para a qualificação do cuidado. As chamadas “canetas emagrecedoras”, como ficaram conhecidos os medicamentos análogos ao hormônio GLP-1, ampliaram de forma significativa as possibilidades terapêuticas.
A entrada desse tema também na agenda eleitoral amplia a visibilidade de uma discussão que não deveria se limitar à oferta ou não dessas terapias. A questão é mais ampla: como um sistema universal de saúde deve responder à chegada de uma inovação farmacológica para o tratamento de uma condição que afeta milhões de brasileiros?
As causas do problema
A obesidade resulta da interação de fatores biológicos, sociais, econômicos, culturais e ambientais que se acumulam ao longo da vida. Sua expansão nas últimas décadas não pode ser explicada pelas escolhas ou pela responsabilidade individual. Os ambientes em que se vive, trabalha, estuda e se alimenta condicionam essas escolhas e são também moldados por interesses econômicos e comerciais.
A resposta exige escapar de uma falsa escolha. Reconhecer a importância de novos tratamentos não significa abandonar políticas capazes de agir sobre os ambientes e os interesses comerciais que contribuem para produzir a obesidade.