EMS terá ‘clone’ da caneta emagrecedora Ozivy e lançará uma segunda marca de semaglutida
Companhia planeja 700 mil unidades da nova caneta em 12 meses. Pedido de registro será feito ainda em julho e o medicamento deve chegar às farmácias em novembro. Ao NeoFeed, Marcus Sanchez, da EMS, explica a estratégia.
Menos de um mês após lançar o Ozivy, primeira semaglutida fabricada no Brasil após o fim da patente do Ozempic e Wegovy, a EMS prepara uma segunda caneta emagrecedora com o mesmo princípio ativo. O plano é lançar um medicamento clone para chegar às farmácias até novembro deste ano. O pedido de registro será feito ainda em julho, e a Anvisa transformará o Ozivy em um medicamento de referência, etapa que ocorre após a aprovação do registro de um novo produto farmacêutico.
Uma proposta de instrução normativa para atualização da lista de medicamentos de referência integra a pauta da Diretoria Colegiada da Anvisa desta quarta-feira, 8 de julho. A tendência é que o Ozivy já entre nesta leva e passe a integrar essa categoria da agência.
Ao contrário de um registro novo, que precisa passar pela fase de testes clínicos, o caminho do pedido de um clone na Anvisa é mais rápido. Assim que o pedido é protocolado, o prazo médio de aprovação é de cerca de 90 dias.
E, diferentemente do Ozivy, que foi lançado com a marca EMS, a nova caneta chegará ao mercado sob a marca Brace Pharma, que integra o grupo e que responde por cerca de 5% do faturamento total da companhia farmacêutica.
A Brace Pharma, especializada em medicamentos de prescrição médica nas especialidades de cardiologia, endocrinologia, ortopedia e sistema nervoso central, faturou cerca de R$ 500 milhões em 2025. Ao todo, o grupo EMS ultrapassou a marca de R$ 10 bilhões no ano passado.
A ideia da companhia é ter estratégias comerciais diferentes e, principalmente, avançar em regiões distintas. O plano é que cada marca atinja um volume diferente de médicos para visitas. E que as duas estejam disponíveis nas varejistas farmacêuticas.
“A gente entende que esse produto vai crescer exponencialmente no Brasil. Aumentando o volume, podemos atuar nessa categoria com mais de uma marca”, diz Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, ao NeoFeed.
Enquanto a previsão da Ozivy, inicialmente, é de registrar faturamento de pelo menos R$ 500 milhões e 1,2 milhão de unidades de canetas vendidas em 12 meses, o plano com a nova semaglutida é de vender 700 mil caixas no mesmo período, o que deve representar uma receita próxima a R$ 250 milhões.
Isso significa que, combinadas, as duas marcas de semaglutida do grupo EMS têm potencial para ultrapassar a marca de dois milhões de unidades e um faturamento próximo a R$ 800 milhões por ano. Mas a tendência, segundo Sanchez, é que o volume seja ainda maior.
“A gente quer levar para a comunidade médica mais uma opção de tratamento. Cada empresa tem um foco, com painéis médicos diferentes. Enquanto um grupo atua em uma quantidade de profissionais, a equipe da Brace Pharma vai em outro grupo. As empresas terão estratégias complementares”, explica Sanchez.
Assim que o pedido de registro for protocolado, a Brace Pharma deverá entrar na fase final de elaboração do plano da nova semaglutida. Inicialmente, a estratégia é de chegar ao mercado com preço parecido ao do Ozivy, que hoje custa cerca de R$ 450 por caixa, mas pode sair mais barato no plano para os primeiros três meses de tratamento.
Guerra de preço da caneta
Desde que a EMS lançou sua caneta, a indústria farmacêutica iniciou uma guerra de redução de preço, com o anúncio de todas as companhias no preço final de seus produtos. O objetivo principal é capturar novos pacientes, que, com valores mais baratos, rompem esta barreira de entrada.
Ainda que seja de outra marca do grupo, o novo medicamento será fabricado na mesma linha de produção do Ozivy, na planta que fica na sede da companhia, em Hortolândia, no interior de São Paulo.
Segundo Sanchez, a fábrica terá capacidade para produzir as duas linhas. “A nossa produção, que já é bem elevada, não será suficiente para ocupar 100% da capacidade produtiva da nossa fábrica. Por isso há espaço para lançar a outra marca”, afirma.